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Levantamento mostra que patrimônio de 20 dos investigados na Lava-Jato pelo menos dobrou



O patrimônio de 20 de 48 políticos investigados por envolvimento na Lava-Jato pelo menos dobrou no período em que funcionou o esquema de corrupção na Petrobras. Análise das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral revela que o enriquecimento permitiu a compra de mansões, carros de luxo, lanchas e fazendas. O levantamento do GLOBO levou em conta as eleições a partir de 2002, a última antes do início das fraudes na estatal, que teriam começado em 2004. Todos os valores citados nos documentos anteriores a 2014 foram atualizados pelo IPCA, índice oficial de inflação.
Na lista dos que enriqueceram aparecem desde políticos famosos a parlamentares de menor expressão nacional. O patrimônio do senador Fernando Collor (PTB-AL) aumentou em 175% no período de oito anos, passando de R$ 7,3 milhões em 2006 para R$ 20,3 milhões em 2014. Entre os bens adquiridos, está uma mansão de R$ 4 milhões em Campos do Jordão (SP). O ex-presidente foi procurado, mas não respondeu.
O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) teve o maior crescimento patrimonial. Em 2002, quando concorreu pela primeira vez, ele declarou uma poupança e um título de capitalização que somavam R$ 2,3 mil. Em 2014, seus bens incluíam chácara, lancha, dois carros e R$ 182 mil, o que elevou seu patrimônio para R$ 1,1 milhão. Loubet disse que a mudança é “totalmente compatível” com sua renda.

Já a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil, praticamente dobrou o seu patrimônio entre 2006 e 2014: de R$ 736 mil para R$ 1,4 milhão. A assessoria de Gleisi alega que a quantia subiu por causa da inclusão de um apartamento de R$ 1,1 milhão, em Curitiba, que não está quitado. Mas o imóvel aparece com seu valor integral na última declaração da Imposto de Renda da senadora, em 2013, enviada ao GLOBO por seu gabinete.
Enquanto o crescimento dos bens de alguns investigados, entre 2002 e 2014, variou de 96% a 22.000% (já descontada a inflação), a poupança rendeu 19% no período, o ouro se valorizou em 49%, e o índice Ibovespa, que reúne as ações das principais empresas brasileiras, cresceu 61%.
A economia do salário de parlamentar e a rentabilidade de investimentos agropecuários foram as justificativas dadas pelo deputado federal Afonso Hamm (PP-RS) para explicar o aumento de 178% em seu patrimônio em 12 anos.
Entre 2002 e 2014, os bens de outro gaúcho da lista, Luís Carlos Heinze (PP), saltaram de R$ 2,9 milhões para R$ 7,8 milhões. O deputado disse que a diferença se deve à atualização dos valores de suas terras, algumas delas recebidas como herança por sua mulher.
Dos 20 que enriqueceram, oito tiveram ganho patrimonial acima de 100% em apenas quatro anos. Os bens do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) passaram de R$ 495 mil em 2002 para R$ 1,1 milhão em 2006. Em 2010, chegaram a R$ 2,7 milhões, mas caíram em 2014 para R$ 1,2 milhão. O parlamentar diz que a oscilação é natural.
O senador Gladson Cameli (PP-AC) tinha um patrimônio de R$ 163 mil em 2006, do qual faziam parte uma caminhonete S10, um Astra e um Gol. Oito anos depois, com bens estimados em R$ 514 mil, a lista de carros ganhou uma BMW, uma Mercedes e duas Hilux. Cameli respondeu que “a evolução patrimonial está condizente com os rendimentos declarados no IR”.
O advogado do ex-deputado federal João Alberto Pizzolatti (PP-SC) também considera que o ganho de 100% que ele teve entre 2002 e 2006 é compatível com sua renda.
Já o deputado federal Jerônimo Georgen (PP-RS) afirma que seus bens aumentaram 122% entre 2006 e 2010 devido à negociação de um apartamento e uma sala comercial. Segundo ele, as declarações feitas à Justiça Eleitoral não levam em conta dívidas e financiamentos. O deputado federal Lázaro Botelho (PP-TO) afirmou que a variação de 164% entre 2010 e 2014 é resultado da atualização do valor dos bens e da compra de um trator.
A ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) afirma que sua declaração chegou a apresentar uma variação de 4.438% porque, em 2006, ela optou por não informar o valor de seus bens, “como era permitido”. Naquele ano, declarou R$ 220 mil de um fundo de previdência. Em 2010, informou R$ 9,9 milhões.
Três políticos não tiveram a evolução de bens avaliada. Antonio Palocci (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE) só disputaram uma eleição no período. Renan Calheiros (PMDB-AL) não informou os valores de suas propriedades na eleição de 2002, o que impede a comparação com 2010. Como o inquérito sobre o senador Fernando Bezerra (PSB-PE) só foi aberto sexta-feira, O GLOBO não analisou suas declarações. O tesoureiro do PT, João Vaccari, embora conste da lista, não entrou no levantamento porque nunca foi candidato e não apresentou declaração de bens.

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), José Mentor (PT-SP), José Olímpio (PP-SP), Nelson Meurer (PP-PR), Simão Sessim (PP-RJ) e Waldir Maranhão (PP-MA) não responderam. Carlos Magno Ramos (PP-RO) e Pedro Henry (PP-MT), este em prisão domiciliar pelo mensalão, não foram localizados.
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