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Denúncia contra Rachel Sheherazade é aceita e vídeos do SBT serão avaliados


Denúncia feita contra Rachel Sheherazade foi aceita pela Procuradoria Geral da República (27 de março de 2014)
A Procuradoria Geral da República (PGR) aceitou nesta quinta-feira (27) a representação feita pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) contra a jornalista Rachel Sheherazade, doSBT. A parlamentar solicita uma investigação, alegando que a âncora do "SBT Brasil" cometeu na bancada do telejornal o crime de apologia e incitamento à tortura e ao linchamento, caracterizado no artigo 287 do Código Penal.
De acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, os vídeos que mostram a opinião exposta por Rachel no "SBT Brasil" sobre o caso envolvendo um grupo que puniu um menor infrator no Rio de Janeiro serão avaliados. "Não se pode pregar contra o Estado democrático. Isso é muito sério", opina Janot. "Se você faz um discurso de ódio para a sociedade, não há como controlar o que ocorre depois por aí", completa.
Em nota enviada ao Purepeople, Jandira Feghali explica que seu pedido de investigação se justifica. "As pessoas não podem se sentir legitimadas por um discurso neofascista e sair por aí julgando e executando outros cidadãos. E, no geral, os executados em sua maioria são os mais pobres e negros", diz. "Não queremos que se crie um paradigma na televisão de incitação à violência na busca da audiência e do lucro. É preciso repensar o que está sendo feito", critica.
Polêmica
Em fevereiro deste ano, um adolescente foi espancado e preso nu pelo pescoço a um poste através uma trava de bicicleta por homens no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da capital fluminense. O jovem cometia furtos na região. Com a notícia, Rachel Sheherazade, que ficou conhecida por causa de suas opiniões fortes, deu o seu parecer sobre o fato no "SBT Brasil".
"No país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia é desmoralizada, a Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro", disse.
"O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido", encerrou Rachel.
Concessão
A representação protocolada por Jandira Feghali também responsabiliza o SBT. A deputada sugeriu à Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) que interrompa o repasse de verbas oficiais ao SBT durante a investigação da Procuradoria Geral da República.
As verbas são repassadas às emissoras de rádio e TV por causa das propagandas e campanhas do governo federal exibidas nos canais. Em 2013, por exemplo, o SBT recebeu R$ 150 milhões da União. Jandira pediu ainda, em último caso, caso não haja uma resposta firme da emissora sobre o assunto, uma análise da concessão do canal de Silvio Santos.
Já Rachel, se for condenada, poderá pegar detenção de 3 a 6 meses ou pagar multa, conforme prevê o Código Penal. Em fevereiro, em entrevista ao Purepeople, Rachel Sheherazade minimizouas representações feitas contra ela.
"Eu não me vendo, nem me dobro. Minha palavra, eles não podem cassar, pois vivemos numa democracia. E, neste país, todo cidadão tem direito, garantido pela Constituição, de expressar suas opiniões. Enquanto tiver o aval da minha emissora, o espaço para opinar livremente, é isso o que farei".
Leia aqui entrevista completa de Rachel Sheherazade!
Rachel Sheherazade diz não se arrepender de seu comentário polêmico (07 de fevereiro de 2014)
Rachel Sheherazade é uma mulher de opiniões fortes e não se arrepende delas. Em entrevista exclusiva ao Purepeople, a apresentadora do "SBT Brasil" diz que não retira uma vírgula docomentário que fez no telejornal sobre o menor infrator que foi preso nu a um poste por um grupo de homens no Rio de Janeiro.
O comentário gerou polêmica nas redes sociais, com opiniões divididas. O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro emitiu nota de repúdio ao comentário de Rachel. Já o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) informou que vai formalizar no Ministério Público uma representação contra a âncora e a emissora por fazer apologia ao crime.
As ações são minimizadas por ela. "Encaro essa representação como uma espécie de intimidação ao meu trabalho", afirma. "Minha opinião é a minha voz. Meu direito de expressão", completa. Segundo ela, o SBT lhe dá total liberdade e os comentários vão continuar. Confira a entrevista.
Purepeople: Você se arrepende do comentário que fez?
Rachel Sheherazade: De maneira nenhuma. Minha opinião é a minha voz. Meu direito de expressão. Esse desabafo não é só meu. É também o desabafo de uma parcela grande da sociedade que se vê esquecida pelo Estado, vulnerável, a mercê da violência, vítima de bandidos de toda sorte, de toda idade. As pessoas de bem não querem mais viver acoadas, encarceradas, vitimadas... O povo está se levantando contra a violência.
Purepeople: Acha que seu comentário foi mal interpretado?
RS: Não acredito que a atitude dos justiceiros foi correta. Não defendi a violência, como muitos sites e jornais propagaram de forma irresponsável. Apenas disse ser compreensível essa atitude desesperada da população para se defender. Espero que o governo Dilma repense suas prioridades. E passe a investir sem demagogia em ações de segurança pública. Esse é um direito constitucional de todo brasileiro.
Purepeople: Mas você pretende maneirar nas suas opiniões após essa repercussão?
RS: Maneirar não faz meu estilo. Sou direta. Digo o que penso sem hipocrisia, sem "mimimi". Enquanto a emissora permitir, falarei tudo o que penso sem papas na língua, como sempre fiz!
Purepeople: E houve alguma orientação do SBT sobre o assunto?
RS: Não. O SBT me dá total liberdade de expressão. Não policia nada do que falo no meu espaço de opinião.
Purepeople: Como encarou a decisão do Psol de fazer uma representação contra você no Ministério Público?
RS: É vergonhosa e humilhante a forma como um partido inexpressivo se vale de um assunto sério para gerar repercussão e ganhar "notoriedade" às vésperas da eleição. Encaro essa representação como uma espécie de intimidação ao meu trabalho. Meus telespectadores sabem que faço críticas pesadas aos políticos e ao governo. Como não rezo na cartilha deles, acabo sendo alvo de retaliações, sejam explícitas ou veladas.
Purepeople: Mas você se sente intimidada com essas "retaliações"?
RS: Eu não me vendo, nem me dobro. Minha palavra, eles não podem cassar, pois vivemos numa democracia. E, neste país, todo cidadão tem direito, garantido pela Constituição, de expressar suas opiniões. Enquanto tiver o aval da minha emissora, o espaço para opinar livremente, é isso o que farei.
Purepeople: Você gosta de ser polêmica? É algo que cultiva?
RS: Será que sou mesmo polêmica? É polêmico ser contra a corrupção e a impunidade? É polêmico querer mais segurança? É polêmico lutar pela redução da maioridade penal? Ser contra o aborto? A liberação das drogas? Eu sou uma brasileira comum, comungando dos pensamentos e valores dos brasileiros comuns. O adjetivo "polêmica" é só um rótulo que me impuseram, porque eu falo, com sinceridade, de assuntos que a maioria prefere evitar.
Purepeople: Você é muito abordada nas ruas? Já foi hostilizada?
RS: Sou muito abordada por adultos e crianças, sempre de maneira muito afetuosa e respeitosa. Conversam comigo e me parabenizam pelas minhas opiniões, pela minha postura firme. Dizem que eu falo o que elas gostariam de falar. Também na redação recebo muitas cartas de apoio, sugestões de comentário, fotos, presentes... Fico sempre comovida com o carinho das pessoas.


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